terça-feira, 18 de outubro de 2016

.anónimo.

.tenho de ir. 

.a vida nunca deveria de ser isto. 
.o amor. 
.nunca deveria de ser isto.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

XXLIII.

.depois de ti. 

.ficou a terra. queimada. as árvores. negras. e o absoluto silêncio.
.as mãos a embalar. o mistério. da tua vinda.
.os livros. por ler. nas estantes. 
.o amanhecer vigiado. pela escuridão das nuvens. 
.a chuva. parada de outubro. 
.e todos os dias. uma guerra. de espaços para fechar com toda a lentidão permitida. ao passo frustrado do caminho. 
.e eu.

.sem saberes de mim.
.eu fui até ao mar. velar. as palavras. que jurei. saber dizer. 
.e tu. 
.sem saberes quem fui. em ti.
.rasgaste. as cartas que te dei. 
.e abandonaste. o coração que te deixei vazio.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

XLII.

para. que tema o silêncio. do medo. não resta nada. senão. os meus dedos mordidos. na quietude. em que me dividi. só resta parte da tempestade. que ao mar. todos os dias. vou derramar. cada parte destruída. cada onda. vazia. cada parte de mim. só.

sou a terna espuma. dos lamentos. uma vida por acabar. do que me fiz. não há árvore que tenha procurado. a água que o meu corpo deu à terra. nem a mais pequena luz. desobrigada. de me iluminar.  os dias. antes fosse. a raiz pobre da ausência. antes fosse. a escuridão escrita num poema. que ao amor nada devo. nada tirei.

nada. já sei dar.